Sínodo sobre a Amazônia, chega o sim aos padres casados. Permanece o não às mulheres diáconas. “Mas o celibato continua sendo um dom de Deus”

Foto: Sandra Ribeiro

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28 Outubro 2019

No documento final consta: "Propomos estabelecer critérios e disposições por parte da autoridade competente para ordenar sacerdotes homens idôneos e reconhecidos da comunidade, que tenham um diaconato podendo ter uma família legitimamente constituída e estável".

A reportagem é de Francesco Antonio Grana, publicada por Il Fatto Quotidiano, 26-10-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

O Sínodo abre o caminho para os padres casados. Fechamento, no entanto, para as mulheres diáconas. É isso que foi decidido pelos quase duzentos padres sinodais que participaram da assembleia especial sobre a Amazônia realizada no Vaticano. O parágrafo sobre os padres casados, embora aprovado pela maioria de dois terços exigida, é o que recebeu o maior número de votos contra, 128 a favor e 41 contra. No final, foi escolhido um caminho diferente daquele proposto no início do Sínodo, ou seja, o caminho dos chamados viri probati, homens casados que são ordenados padres sem deixar sua família. O caminho escolhido, de fato, é o de conceder aos diáconos permanentes, ou seja, homens casados que receberam o primeiro grau da ordem sagrada, a possibilidade de serem ordenados sacerdotes.

"Muitas das comunidades eclesiais do território amazônico - diz o documento final do Sínodo - têm enormes dificuldades para ter acesso à Eucaristia. Às vezes, são precisos não apenas meses, mas também vários anos até que um padre possa retornar a uma comunidade para celebrar a Eucaristia, oferecer o sacramento da reconciliação ou ungir os doentes na comunidade. Apreciamos o celibato como um dom de Deus, na medida em que esse dom permite ao discípulo missionário, ordenado ao presbiterado, dedicar-se plenamente ao serviço ao povo santo de Deus. Isso estimula a caridade pastoral e oramos para que haja muitas vocações que vivam o sacerdócio celibatário. Sabemos que essa disciplina não é exigida pela própria natureza do sacerdócio, embora possua múltiplas razões de conveniência. Em sua encíclica sobre o celibato sacerdotal, São Paulo VI manteve essa lei e expôs as motivações teológicas, espirituais e pastorais que a sustentam. Em 1992, a exortação pós-sinodal de São João Paulo II sobre a formação sacerdotal confirmou essa tradição da Igreja Latina".

Para os padres sinodais, no entanto, "considerando que a legítima diversidade não prejudica a comunhão e a unidade da Igreja, mas a manifesta e serve, como testemunha a pluralidade dos ritos e das disciplinas existentes, propomos estabelecer critérios e disposições por parte da autoridade competente, no quadro da Lumen gentium 26, para ordenar sacerdotes homens idôneos e reconhecidos da comunidade, que tenham um diaconato permanente fecundo e recebam formação adequada para o presbiterado, podendo ter uma família legitimamente constituída e estável, para sustentar a vida da comunidade cristã através da pregação da palavra e da celebração dos sacramentos nas áreas mais remotas da região amazônica. Nesse sentido, alguns se expressaram a favor de uma abordagem universal do tema". Um esclarecimento que não é insignificante e que acolhe o pedido que surgiu durante o debate para convocar no futuro um Sínodo dos bispos sobre o celibato sacerdotal.

Totalmente diferente, por outro lado, foi a decisão sobre as mulheres diáconas, enviada de volta à Comissão - para receber aportes da política - com 137 votos contra 30. "Nas numerosas consultas que foram realizadas na Amazônia, - consta no documento final - foi reconhecido e enfatizado o papel fundamental das religiosas e das laicas na Igreja amazônica e nas suas comunidades, dado os múltiplos serviços que elas oferecem. Em muitas dessas consultas, o diaconato permanente para mulheres foi solicitado. Por esse motivo, o tema também esteve muito presente durante o Sínodo.

Já em 2016, o Papa Francisco tinha criado um ‘Comissão de estudo sobre o diaconato das mulheres' que, como Comissão, chegou a um resultado parcial sobre como era a realidade do diaconato das mulheres nos primeiros séculos da Igreja e sobre suas implicações atuais. Gostaríamos, portanto - é o pedido dos padres sinodais – compartilhar as nossas experiências e reflexões com a Comissão e atender seus resultados". Pedido imediatamente aceito por Bergoglio, que anunciou que em breve convocará novamente com novos membros a Comissão instituída em 2016 e que dois anos depois havia concluiu seus trabalhos sem resultados.

Sobre todo o trabalho realizado pelos padres sinodais nas três semanas de debate no Vaticano, a palavra passa agora a Francisco, que já comunicou sua intenção de publicar em 2019 uma exortação apostólica com suas conclusões.

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